Ao trocar Cuca por Muricy Ramalho no início do Brasileirão, o Tricolor tinha como objetivo ficar mais próximo do sonhado título nacional. Pois é, mas foi justamente o ex-treinador que tirou a equipe tricolor da ponta da tabela, com a vitória por 1 a 0 do Cruzeiro, em partida válida pela 29ª rodada. Agora, o técnico líder do Brasil é ele.
Na quarta partida em Uberlândia, os mineiros conquistaram a quarta vitória pelo mesmo placar (Corinthians, Flamengo e Inter foram as outras vítimas). De volta ao time após seis rodadas, Wellington Paulista mostrou, ao contrário de muitos tricolores vindos do departamento médico, que o estiramento na coxa esquerda não o incomoda mais e cabeceou firme, aos 14 do primeiro tempo, para garantir os três pontos que colocaram a Raposa no topo da tabela. São 54, contra 52 dos cariocas, que estão em segundo.
Além da liderança, o Flu perdeu ainda Deco, mais um na grande lista de jogadores com problemas musculares, por tempo indeterminado e já acumula três partidas sem vitória. No próximo domingo, o compromisso é contra o Botafogo, às 18h30m (de Brasília), no Engenhão. Já o Cruzeiro, que deixou o gramado ouvindo os gritos de “o campeão voltou”, defende a liderança pela primeira vez contra o embalado Grêmio, também no domingo, às 16h, no Olímpico.
O Parque do Sabiá não é o Mineirão, mas o Cruzeiro cuidou de todos os detalhes para se sentir em casa em Uberlândia. Se as arquibancadas não estavam lotadas como deveria ser em um jogo tão decisivo, a festa em campo, comandada pelos mascotes Raposão e Raposinha e embalada por músicas de incentivo no sistema de som, criava o clima favorável para o time celeste.
Com os torcedores extasiados sob uma fumaça azul, o Cruzeiro entrou em campo a mil e o argentino Montillo não diminuiu a adrenalina nem mesmo durante a execução do hino nacional brasileiro, dando corridinhas para manter o aquecimento. Como se não bastasse tudo isso, o gol do Corinthians sobre o Atlético-GO, no Pacaembu, antes mesmo de a bola rolar, transformou o jogo em ainda mais importante.
Sem Mariano, na Seleção, e com seu substituto Marquinhos lesionado, o Fluminense mandou para campo Thiaguinho improvisado na lateral direita. No treino de sábado, Muricy Ramalho deu atenção especial ao setor, mas o volante até que cumpriu bem seu papel, bem no combate e apoiando com desenvoltura. O problema, no entanto, estava do outro lado, com Carlinhos.
Famoso pela força ofensiva, o lateral-esquerdo ficou preso a marcação do arisco Thiago Ribeiro, e não foi feliz. Válvula da escape da equipe de Cuca, o atacante estava o tempo todo com a bola, sempre dando trabalho. Não à toa, foi por este setor que saiu o primeiro gol da partida. Se Thiago Ribeiro sozinho estava difícil de segurar, imagine uma dupla com Montillo? Pois é, não foi necessário imaginar, eles entraram em ação.
Aos 14, o atacante puxou a marcação e o argentino deu o toque de classe. Com muita calma, do bico da área, ele levantou a bola no segundo pau e encontrou a cabeça de Wellington Paulista. Facilitado por um Gum totalmente perdido na marcação, o camisa 9 escorou no contrapé de Rafael e correu para o abraço.
| W. Paulista comemora após gol marcado em cruzamento do Argentino Montillo |
A situação vale também para o duelo de argentinos. Conca participou mais da partida, estava sempre com a bola, arriscava chutes de longe, passes e sofria com a marcação individual de Marquinhos Paraná. Não conseguia ser decisivo. Já Montillo em determinados momentos se mostrou sonolento, lento. Entretanto, também precisou de apenas uma chance para fazer o que dele se espera: a diferença.
Deco, lesionado, foi substituído ainda no primeiro tempo por Marquinho. Nada que fizesse o torcedor arrancar os cabelos. O luso-brasileiro não jogava bem e sua participação se resumiu a um bom passe para Rodriguinho, que perdeu chance na frente de Fábio, aos 23. O Cruzeiro também sofreu uma baixa: Caçapa voltou a sentir dores no joelho e deu lugar a Gil.
Nos 15 minutos finais, o ritmo da partida diminuiu bastante. Bom para o Cruzeiro, que fez uso do meio-campo para trocar passes, manter a posse de bola e descer para o vestiário em vantagem. Para melhorar, assim que Carlos Eugênio Simon apitou o fim da primeira etapa o sistema de som entrou em ação para avisar: no Pacaembu, Atlético-GO 3 a 1 sobre o Corinthians. Era o momento certo para o Raposão entrar novamente em campo.
omo se tivesse um roteiro, a partida se desenhou da mesma forma no segundo tempo: o Fluminense com posse de bola, e o Cruzeiro mais perigoso. A dupla Montillo e Wellington Paulista seguia bem demais, como no lance em que o argentino lançou para o atacante carimbar o travessão de Rafael, logo aos três. Empolgado, “Wellingol”, como é chamado pelo pai, até marcou o segundo, mas em posição irregular, após escanteio, aos oito.
E assim seguiu o jogo até os 20 minutos, quando a parceria se desfez. Montillo, sentindo dores musculares, saiu para a entrada de Roger, e o Flu, até então apático, voltou para o jogo. Era chute daqui, cabeçada de lá, cruzamento, escanteio. Pressão total, que sempre esbarrava em um mal: os erros de finalização. O pior deles foi de Rodriguinho, aos 24, quase na linha gol, quando, incrivelmente, conseguiu chutar por cima do travessão.
Cansado e sem seu principal condutor, o Cruzeiro passou a segurar o resultado, e teve em um ex-tricolor um dos grandes responsáveis por isso. Escorraçado das Laranjeiras após muitas vaias da torcida, Edcarlos reencontrou Cuca na Toca da Raposas, ganhou confiança, assumiu o posto de titular, e foi o grande carrasco do Flu nos minutos finais. Nas bolas aéreas e no combate direto, ele ganhou todas de Washington e cia., se impôs e garantiu a liderança celeste. O Flu dispensou Edcarlos, trocou Cuca por Muricy, mandou Everton (que ficou o jogo todo no banco) embora, e viu suas “crias” assumirem a liderança do Brasileirão. Ainda faltam nove rodadas, mas agora o bilhete premiado tem a cor azul. Ah, e, lógico, o Raposão foi o dono da festa ao apito final de Simon.
Flamengo abre 2 a 0, mas Avaí busca o empate na Ressacada;
Dois jogos em um. No primeiro tempo o Flamengo passeou. E no segundo, só o Avaí conseguiu atacar. Em um confronto de domínio alternado, a igualdade se justifica: Avaí e Flamengo empataram em 2 a 2 no Estádio da Ressacada, em Florianópolis, na tarde deste domingo. Val Baiano abriu 2 a 0 para os visitantes na etapa inicial, mas Emerson e Roberto igualaram o placar após o intervalo.
Com o empate, o Avaí se mantém fora da zona de rebaixamento, com 30 pontos – é o 16º. O Flamengo desperdiça a chance de ingressar na área de classificação à Copa Sul-Americana, somando 34 pontos, na 14ª colocação.
No sábado, Vanderlei Luxemburgo comandou treino tático no CT do Figueirense. Sem o clichê do mistério, revelou a equipe e esmerou-se no posicionamento dos jogadores.
Sistematizou os titulares no 4-4-2, com um volante (Willians) guarnecendo três meias alinhados: Correa, Kleberson e Renato Abreu. Sem Diogo, definiu o ataque com Diego Maurício e Val Baiano.
Onde estariam Petkovic e Deivid? Na reserva. Luxemburgo substituiu ambos. Para o meia sérvio, a justificativa foi física – ‘não é mais um garoto’, disse; sobre o centroavante, a explicação foi tática – ‘preciso de um jogador mais de área’.
| Val Baiano comemora após gol marcado contra o Avaí, na Ressacada. |
Aos 14 Renato Abreu recebeu livre, entre o lateral Patric e o zagueiro Gabriel. Ergueu a cabeça, cruzou rasteiro. Val Baiano, o homem de área, lá estava para concluir: 1 a 0. E aos 16, novamente em jogada do meia canhoto, o centroavante fez o segundo gol do Flamengo. Tamanha superioridade do Flamengo irritou os avaianos na Ressacada. Patric e Gabriel, considerados pela torcida co-autores dos gols adversários, passaram a ser vaiados a cada toque na bola.
Na curva sul do estádio, entretanto, aglomeravam-se pouco menos de mil flamenguistas. Eufóricos. Seus cânticos podiam ser ouvidos em qualquer centímetro quadrado do campo. E o time visitante sentiu-se em casa.
No segundo tempo, o Avaí abdicou do 4-4-2 com meio-campo em losango. O técnico Edson dos Santos fez duas trocas no intervalo: entraram Emerson Nunes e Válber, saíram Caio e Robinho, e configurou-se o 3-5-2.
A torcida também mudou. Parou de vaiar, e incentivou o Avaí.
- Ooô, vai para cima deles Leão!
A pressão, do time e da arquibancada, surtiu efeito. Aos 8 o zagueiro Emerson, capitão da equipe, voou na área e marcou de cabeça, após cobrança de escanteio. Gol que intensificou o repertório de conclusões do Avaí.
Na seqüência Léo Moura, em seu 300º jogo com a camisa do Flamengo – marca que motivou homenagens ao jogador antes da partida – cometeu falta, recebeu o segundo cartão amarelo, e foi expulso. Atônito, o Flamengo não soube reagir, e o inevitável empate nasceu de novo escanteio, aos 14. Pará cobrou fechado, Roberto desviou, e a Ressacada quase explodiu na comemoração.
O Flamengo esqueceu o caminho que levava ao campo do Avaí. Com posicionamento adiantado, os catarinenses encurralaram a equipe de Luxemburgo, e seguiram apostando nos cruzamentos pelo alto. Com Petkovic em campo, o Flamengo tentou arrefecer a correria adversária controlando a posse de bola. Ainda assim, o Avaí seguiu pressionando, rondando a área de Marcelo Lomba. Mas, mesmo com um jogador a mais, o Avaí não conseguiu a virada.
Já perto do fim do jogo, Renato Abreu se desentendeu com Rudnei. David Braz correu para tirar satisfações com o avaiano e foi atingido no rosto. O árbitro Evandro Rogério Roman resolveu por expulsar Rudnei e David. Logo depois, um torcedor do Flamengo invadiu o gramado para tentar agredir o juiz. Apartada a confusão, a bola rolou por mais dois minutos e o jogo acabou.
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