Douglas e Jonas brilham na vitória do Grêmio. No Rio: Flu e Bota perdem chances de atingir suas metas

A esperança veste azul. O azul do Grêmio. O Tricolor incorporou a garra que sua tradição exige e deu um jeito de vencer o líder do Campeonato Brasileiro de virada no Olímpico. O Cruzeiro largou na frente com seu maestro, o argentino Montillo. Júnior Viçosa empatou, e Jonas, de pênalti, derrubou a Raposa na tarde deste domingo.

O resultado catapulta o sonho de vaga na Libertadores do Grêmio. A equipe de Renato Gaúcho, a melhor do segundo turno, subiu para 46 pontos, na sétima colocação. São quatro a menos do que o Corinthians, atual último classificado para a competição continental. A Raposa, 54, se manteve na ponta graças ao empate do Fluminense, agora com 53, no clássico contra o Botafogo.

Agora, as duas equipes passam a estudar seus maiores rivais. O Grêmio recebe o Inter às 18h30m de domingo. No mesmo dia e horário, o Cruzeiro duela com o Atlético-MG.

Jonas marcou na vitória do Grêmio em cima do Cruzeiro e completou 20 gols no Brasileirão
 Montillo é o típico jogador que, já no berço, parece ter feito um pacto com a bola: onde ele vai, ela tem que ir junto; por onde ela circula, ele passeia atrás. O camisa 10 do Cruzeiro não precisa de extravagância para ser o núcleo do time mineiro. Drible discreto também é drible bonito, lançamento discreto também é lançamento bonito. E gol é sempre gol. Foi ele, aos 28 minutos do primeiro tempo, quem colocou o Cruzeiro na frente.

Douglas é o típico jogador que, já no berço, parece ter recebido um ímã capaz de atrair couro, capaz de atrair bola. É o clássico camisa 10 que vai a campo com um controle remoto embutido: basta apertar um botão mental para colocar a bola onde bem entende. Foi dele, aos 48 minutos do primeiro, um passe daqueles que só meias como ele (e Montillo) sabe dar. Jonas concluiu, Fábio espalmou, Júnior Viçosa marcou.

O estalo de genialidade dos dois articuladores foi o que de melhor aconteceu no primeiro tempo. Nos minutos iniciais, a qualidade de um time freou a ambição do outro. O temor parecia vencer a ambição. O Grêmio, empurrado pela torcida, resolveu ameaçar antes. Lúcio, de fora da área, obrigou Fábio a fazer grande defesa.

Montillo parecia bem controlado pelo sistema defensivo do Grêmio. Mas era a velha situação do “me engana que eu gosto”. Quando o Tricolor comeu mosca, ele aproveitou. Léo pegou a sobra de cruzamento pelo lado esquerdo da área e fez lançamento precioso para o outro lado. A bola caiu justamente no pé de Montillo. No primeiro chute, a bola parou em Fábio Rochemback. Mas ela tem um pacto com o argentino. Voltou de novo no pé dele. Aí foi corte para cima de Fábio Santos, zaga desnorteada, Victor batido. Belo gol do Cruzeiro.

O Grêmio ficou grogue. O gol fez o time gaúcho cambalear. Montillo cresceu de vez na partida, passou reto pelos marcadores, centralizou todas as jogadas. Mas, curiosamente, foi o Tricolor quem criou chances. Fábio defendeu dois chutes de longe: um de Vilson, outro de Jonas. E aí brilhou o camisa 10 gremista.


 Douglas conduziu a bola pela ponta direita, encarou a marcação olho no olho de Fabrício e acionou o controle remoto que tem dentro da chuteira. O passe, em diagonal, foi matemático, como se ele tivesse calculado cada centímetro. Jonas chutou já ao receber, e Fábio espalmou. No rebote, Júnior Viçosa completou para o gol. Eram 48 minutos de um primeiro tempo desenhado por dois jogadores vestidos com a camisa 10.

Um contrato sugerindo o empate não teria sido assinado por Grêmio e Cruzeiro no retorno do intervalo. Estava na cara das duas equipes que era vencer ou vencer. Montillo, pela Raposa, voltou a ameaçar, mas o chute passou por cima do gol de Victor. O Tricolor reagiu com chute de Júnior Viçosa. E depois com uma chance clara de Jonas e Lúcio.

Começou com o atacante. Jonas arriscou chute forte, rasante, de fora da área. Fábio voou na bola e conseguiu desviá-la o suficiente para que ela batesse na trave. No rebote, Lúcio tinha tudo para fazer o gol, mas concluiu para fora. Incrível.

O Cruzeiro teve um gol mal anulado. Gilberto cruzou da esquerda, e Wellington Paulista, em posição legal, cabeceou para a rede. A arbitragem viu impedimento. Viu errado. Minutos depois, Thiago Ribeiro derrubou Gilson dentro da área. Pênalti para o Grêmio.
Jonas, artilheiro do Brasileirão, pegou a bola para a cobrança. Goleador que é goleador bate duas vezes.

E marca em ambas. Na primeira, houve invasão da área pelos gremistas. Na segunda, valeu. Chute forte, corrida para a torcida, Olímpico em festa: foi o 20º gol do camisa 7 na competição. A marca é histórica: ele se torna o maior goleador do clube numa mesma edição do Brasileiro.

Tricolor desperdiça a oportunidade de volta à liderança do Brasileiro. Alvinegro não reduz diferença para zona Libertadores e perde duas posições;

O Cruzeiro perdeu. O Corinthians empatou. Mas Fluminense e Botafogo não aproveitaram uma grande oportunidade de avançar na tabela e ficar mais perto de seus objetivos.

O empate de 0 a 0 no clássico disputado no Engenhão, neste domingo, pela 30ª rodada do Brasileirão, impediu que o Tricolor carioca voltasse à liderança da competição. E que o Botafogo quebrasse uma longa série de empates (oito seguidos, agora) e reduzisse a diferença para a zona de classificação para a Taça Libertadores.

O consolo para o Flu foi ter terminado a rodada com uma distância menor em relação ao topo da tabela. O Tricolor segue em segundo lugar, com 53 pontos, apenas um a menos que o Cruzeiro. Já o Bota perdeu duas posições, ultrapassado por Atlético-PR e Grêmio, e agora é o oitavo colocado (45 pontos).

 Os resultados das partidas das 16h abriram boas possibilidades para as duas equipes. Assim, o que se viu no primeiro tempo foi um duelo aberto e em alta velocidade, no qual Fluminense e Botafogo buscavam o gol a todo o momento. No entanto, a marcação era forte de ambos os lados, o que tornava a partida disputada e tensa.

Do lado do Botafogo, os duelos estavam bem definidos. Leandro Guerreiro grudava em Emerson, Somália colava em Conca e Marcelo Mattos acompanhava Marquinho. No entanto, o Alvinegro inicialmente se esqueceu de suas obrigações ofensivas e dava campo para o Fluminense avançar. O meio era tricolor, e, com o argentino Conca apagado, Diguinho tinha liberdade para se movimentar e fazer a ligação com o ataque. A novidade do time foi no gol, com Ricardo Berna no lugar de Rafael.

O ataque alvinegro estava isolado. Loco Abreu se limitava a tentar escorar de cabeça as bolas que eram chutadas desde o campo defensivo. Jobson procurava se movimentar pelos lados, mas quase não recuava para buscar jogo e, por isso, pouco pegava na bola.
Do lado tricolor, Emerson começou a partida apostando na velocidade, mas o longo tempo de inatividade por lesão na coxa direita (42 dias) logo o fez diminuir o ritmo. Washington se perdia na marcação adversária e pouco ameaçava. Assim, o Fluminense levou perigo em chutes de fora da área.

 Em duas oportunidades, o goleiro Jefferson rebateu, mas se redimiu em seguida. A torcida do Botafogo pegava no pé de Diguinho, que passou por General Severiano, mas também vaiava Lucio Flavio, que não fazia da melhor maneira a função de ligar defesa e ataque.

As melhores chances da etapa inicial estiveram nos pés dos dois centroavantes. Logo aos quatro minutos, Emerson recebeu na direita e chutou cruzado, rasteiro. Washington, de frente para a meta, se antecipou a Márcio Rosário e finalizou sobre o gol, desperdiçando uma chance incrível. Na reta final do período, foi a vez de Loco Abreu. Aos 41, Lucio Flavio rolou para o uruguaio, que chutou por cima. A bola chegou a raspar em Leandro Euzébio. No dia do 34º aniversário, o atacante não conseguiu um gol como presente.

Clássico Vovô terminou em 0 a 0.
 No segundo tempo, o ritmo da partida caiu. Os defensores levavam clara vantagem sobre os armadores e atacantes. Diante da queda de desempenho da equipe, Joel Santana decidiu mexer no time, primeiro colocando Edno no lugar de Lucio Flavio, que deixou o campo vaiado. E, depois, alterando o esquema da equipe, com o atacante Caio no lugar do lateral Alessandro.

Já Muricy Ramalho foi obrigado a mudar o Flu, que voltou a sofrer o efeito da onda de lesões que afetam os seus atacantes. Aos 26 minutos, em um lance junto à linha de fundo, Emerson sentiu dores no tornozelo esquerdo e precisou deixar o gramadoApesar de descansados, Edno e Caio não conseguiram criar muito perigo para os zagueiros tricolores e foram mais notados por tentar cavar faltas. Nos pés de Jobson estiveram as melhores chances do Alvinegro.

Aos 19, o atacante invadiu a área e chutou cruzado, assustando Ricardo Berna. Vinte minutos depois, o goleiro salvou o Flu. O atacante deixou dois marcadores para trás e concluiu da entrada da área. O novo titular do gol tricolor manteve o placar inalterado.

Do lado do Flu, mandante no estádio do Alvinegro, um dos substitutos, por pouco, não garantiu os três pontos. Aos 42, Conca acionou Júlio César. O lateral, que entrou no lugar de Marquinho, disparou, mas Antônio Carlos salvou. Sete minutos antes, Washington tentou encobrir Jéfferson da entrada da área.

Mas encobriu também a meta. O apito final confirmou um resultado que não era desejado por nenhum dos dois times. E que deixou um gosto de que era possível ganhar três pontos tanto de um lado como de outro. Desagrado refletido em vaias de torcedores tricolores e alvinegros.

Fonte: Globoesporte.com

0 comentários:

Postar um comentário